Livro 2: O lado bom da vida

Bom dia, senhoras e senhores! Ou boa tarde, se vocês estiverem lendo isso à tarde. Ou boa noite para os da noite! A senhora que vos fala aqui já leu mais um livro, completando a incrível façanha de dois livros em menos de 1 mês, o que, pasmem, é muito para mim, já que ano passado devo ter lido essa quantidade no ano inteiro! Então, palminhas para mim!

*darei um tempo para vocês poderem bater palmas do lado daí da tela*

Ok, palmas terminadas, venho aqui falar do livro O lado bom da vida, ou Silver Linings Playbook, seu título original em inglês.

Matthew Quick, o autor do livro.

Matthew Quick, o autor do livro.

Esse livro de 2008 (mas que só foi lido por mim 2 anos depois de seu lançamento) que teve um filme baseado em sua história (só baseado mesmo, porque o filme é todo diferente e, desculpe a expressão, cagado) em 2013, é um dos filmes mais identificáveis por mim da face da Terra (adicione a ele Carta para alguém bem perto, da Fernanda Young, O apanhador no campo de centeio que, aliás, é citado no livro, de J.D. Salinger, e Eu sou o mensageiro, de *suspiro* Markus Zusak) . “Isso quer dizer que você é maluca, Livia?” (já que o personagem principal do livro tem probleminhas mentais) Sim, isso quer dizer, sim. O QUE VOCÊ TEM COM ISSO? TEM CERTEZA QUE QUER IR CONTRA ALGUÉM LEVEMENTE (BASTANTE) DESPIROCADO? Mentira, gente, nem tô gritando…

Enfim, voltando ao livro. O livro é realmente muito bom. E eu sei que falo muito isso das coisas, mas eu só falo muito isso das coisas que eu gosto de verdade, porque o que não gosto, eu não tenho vergonha de deixar claro que não gosto (como o livro que tô lendo agora, o terceiro do projeto, que até agora tô achando bem chato, mas isso é assunto para outro post). Mas ele é bom. Muito. Por que?, vocês me perguntam. Porque sim! Mentira, vou explicar.

Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.

Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.

Bem, só pra fazer um resumo do livro para quem não leu (e nem adianta falar que viu o filme, porque a história é BEM diferente), O lado bom da vida conta a história de Pat Peoples (adorei o nome, by the way), um homem de 30 e meios anos, meio que recém separado (na cabeça dele) de sua mulher, e que acaba de sair de uma instituição mental (apelidado “carinhosamente” por ele de Lugar Ruim). O sentido da vida dele pós-Lugar Ruim é reconquistar sua esposa, que ele não vê desde que entrou na instituição e, para isso, faz tudo que ele considera que ela gostaria que ele fizesse: perde peso, lê livros clássicos da literatura (sendo Nikki, sua esposa, professora de inglês) e, o mais importante de tudo, decide ver o lado bom da vida (daí o nome do livro) sendo positivo e agradável (e não tendo que ter sempre a razão, como fazia antes. Aiai, tão eu esse Pat Peoples). Porém, como não vive sozinho no mundo (apesar de mundo ideal de Pat só existir ele e Nikki), Pat precisa lidar com seus pais, seu irmão, seu terapeuta e também com Tiffany, irmã recém-viúva da esposa de um de seus melhores amigos, que decide começar a seguir Pat e não largar mais dele. Obviamente, Tiffany é vista por todos como mulher-problema, visto que diz o que quer, faz o quer e estar claramente passando por um difícil momento depois da morte de seu marido, Tommy.

Como dá para perceber, tanto Pat quanto Tifffany não estão em seu melhor momento mental. Ambos estão deprimidos e mentalmente não saudáveis. Acho incrível como o autor, Matthew Quick, consegue mostrar facilmente que Pat criou um mundo próprio na cabeça dele. E não importa o que as outras pessoas a seu redor falem, ele não acredita porque o mundo que criou é muito real. Apesar de totalmente desconexo. Ele não lembra de várias partes da sua vida pré-Lugar Ruim, e não consegue nem lembrar quantos anos ficou na instituição. Achei, inclusive, essa uma das partes mais sensacionais do livro e da criação dos personagens. Imagina você ter que conversar com uma pessoa sem mencionar tempo! É muito difícil! E é isso que a mãe de Pat, sempre tão protetora, sempre tão linda, sempre tão carinhosa e verdadeira (e tão mal explorada no filme) obriga todos a seu redor a fazer. Às vezes, isso acaba sendo prejudicial para o próprio Pat, mas conseguimos entender de onde está vindo esse desejo totalmente protetor da mãe: ela não quer que o filho sofra e ponto final. Ela trata Pat como uma criança porque, no momento, ele é uma criança. E isso fica bem claro no jeito de Pat se expressar, algo que me incomodou muito no começo do livro e que até achei que fosse um erro de tradução, uma tradução mal feita. Mas depois percebi que era intencional, pois era assim que Pat estava naquele momento: sendo uma criança, frágil como uma. Talvez por isso a pessoa com quem ele se sinta melhor (além de Tiffany) seja a filha bebê de seu amigo Ronnie, porque ele se identifica com ela e consegue entendê-la. E talvez ele sinta que ela também consegue entendê-lo porque, naquele momento, mais ninguém consegue.

A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos ensina a suporta isso com nobreza. - trecho do livro O lado bom da vida.

“A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos mostra que é possível suportar isso com nobreza.” Trecho do livro O lado bom da vida.

Achei muito bonita e delicada como toda essa questão da doença mental é tratada por todos os personagens que permeiam o livro: dos que entendem e tentam ajudar aos que fingem que não existe e não conseguem lidar, como o pai de Pat, um sujeito totalmente fechado e avesso à “emocionalidades”. É incrível ver como uma pessoa é guiada na vida por coisas aparentemente sem valor, como um time (no caso, de futebol americano), e como o amor por um time pode modificar relações. Gostei muito dese aspecto do livro e me fez enxergar os fanáticos por futebol de uma maneira completamente diferente (mas continuo achando os que batem – e às vezes até matam! – nos outros por causa de um time totalmente babacas e idiotas).

Ver Pat enxergar essa realidade real, e não a realidade da cabeça dele, aos poucos e ver como ele lida com tudo é muito interessante. Nos faz perceber como lidamos com a nossa vida também. E, claro, a compreender um pouco mais aqueles que tem um pouco mais de dificuldade em viver a vida, que são mais sensíveis, que tem problemas, e a perceber que coisas como depressão, bipolaridade, anorexia, ansiedade exacerbada, e toda essas doenças da mente não são brincadeira. Até mesmo pra mim, que já enfrentei algumas dessas doenças (depressão e anorexia), foi importante, porque você acaba achando que esses problemas são só seus e os outros não sofrem tanto quanto você, e acaba desvalorizando os sentimentos de algumas pessoas, quando elas podem estar sofrendo tanto ou até mais que você. E desvalorizá-las com certeza não as ajuda. Talvez esse livro tenha me tocado tanto exatamente por isso, porque eu sei o que Pat sente. E a relação que se forma entre Pat e Tiffany também tem a ver com isso, porque um sabe o que o outro está sentindo – apesar de Tiffany entender Pat muito mais do que ele a entende, já que ele está naquele mundo obcecado do Pat onde só enxerga uma coisa: Nikki.

Fico com medo de dizer mais coisa e acabar dando spoiler dimais. Sei que é um livro antigo, que até já saiu filme (que, repito, não tem nada a ver com o livro!), mas sei que muitas pessoas podem ainda não ter lido, como eu, e não quero estragar mais nada para essas pessoas. Acabo, então, dizendo que é um puta livro, delicado e sincero, muito bem escrito e com personagens muito bem delineados, com função exata para cada um. E nenhum fio fica solto no final, o que também é um grande ponto. Só não espere um final cliché porque, afinal, não é um filme água com açúcar. 😉

A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme...

A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme, fica tão sem graça.

O lado bom da vida (Silver Linings Playbook)

Matthew Quick

Editora Intrínseca

Anúncios

2 pensamentos sobre “Livro 2: O lado bom da vida

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s