Livro 5: Objetos Cortantes (Gillian Flynn)

Começo dizendo que esse foi o melhor livro que li esse ano, quiçá um dos melhores que li até hoje. E que Gillian Flynn já entrou pra minha lista de escritores favoritos. Acho que isso quer dizer alguma coisa, né?

O livro conta a história de Camille, que retorna à cidade onde nasceu para cobrir o caso de uma menina assassinada e outra misteriosamente desaparecida. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã, praticamente uma desconhecida. Mas, sem recursos para se hospedar na cidade, é obrigada a ficar na casa da família e lidar com todas as reminiscências de seu passado. Entrevistando velhos conhecidos e recém-chegados a fim de aprofundar as investigações e elaborar sua matéria, a jornalista relembra a infância e a adolescência conturbadas. (sinopse retirada do Skoob)

Capa e contracapa do livro.

Capa e contracapa do livro.

Quem já leu Garota Exemplar ou ao menos viu o filme (meu caso), sabe que Gillian Flynn gosta de uma atmosfera sombria e personagens femininas fortes e problemáticas, características que eu me relaciono e me interesso bastante. Não sou fã de personagens certinhos, bonzinhos e que parecem não ter nenhum defeito. Em Objetos Cortantes, personagens assim são muito difíceis de se encontrar. Ainda bem. Todos eles são reais e relacionáveis na medida do possível, algo que vocês já devem ter percebido que me agrada muito.

Objetos Cortantes é um livro forte, intrigante e totalmente viciante! Eu li o livro todo numa livraria (porque, infelizmente livros são caras e a pessoa aqui tá sem dindim) e isso foi muito difícil, porque eu não podia levá-lo pra casa! Me paguei no meio do fim de semana (sábado e domingo não fui ler) sedenta de história porque eu tinha que saber como o livro continuava!!!!!!! Eu entrava na livraria, agarrava meu livro, pedia meu café e só parava de ler porque já tinha ficado tarde e eu tinha que ir embora. Se eu pudesse, dormia no shopping lendo! Sério, ele é muito envolvente, a Gillian usa as palavras dela de forma perfeita pra te agarrar e te fazer ter vontade de saber o que vai acontecer na próxima frase, e na próxima, e na próxima, e na próxima, até você ter lido até o final!

Trecho (incrível) do livro.

Trecho (incrível) do livro.

A personagem principal também é super bem construída. Na verdade, todos os personagens são muito bem construídos e por mais horripilantes que sejam, você consegue entender o motivo de serem assim – o que não significa que você vai gostar deles (eu mesma odiei várias personagens). Mas Camille é impossível de ser odiada. Ela tem tantos problemas que você sente pena dela, e se sente como ela, e se relaciona com ela (ou talvez isso só aconteça comigo). Mas dá pra sentir todas suas sensações e sentimentos a medida que ela vai descobrindo as coisas que andam acontecendo em sua cidade natal e enxergando a verdade por trás de cada personagem. É foda, desculpe o teor da palavra, mas realmente não tenho outra pra explicar melhor o desenvolver da história e o próprio livro. Eu amei muito, mesmo, e talvez seja o primeiro livro sem ser saga (Harry Potter, Jogos Vorazes) que eu tenha lido tão intensamente e que me envolvi tanto com a história. Acho que 5 estrelas é pouco pra Objetos Cortantes, eu daria mil! E tô doida pra ler o próximo livro que a Intrínseca vai lançar dela aqui no Brasil, Dark Places, que logo estreia como filme, protagonizado pela Charlize Theron.

Ah! Dizem por aí que Objetos Cortantes vai virar série. Eu não gostei da ideia. Acho que ele tem tudo pra ser um filme, mas série… Série é longa e precisa de mais material do que existe no livro (George R.R. Martin e suas centenas de páginas tudo bem, mas Objetos Cortantes não pede série). Vão acabar estragando o livro. Quero nem ver! Mas se resolverem fazer um filme, serei a primeira no cinema!

A foto de Gillian Flynn que está na orelha do livro Objetos Cortantes.

A foto de Gillian Flynn que está na orelha do livro Objetos Cortantes.

Objetos Cortantes

Gillian Flynn

Editora Intrínseca

Livro 4: Não sou uma dessas – Lena Dunham

Meu quarto livro do ano foi Não sou uma dessas, da Lena Dunham, que todo mundo conhece por ser a criadora/roteirista/diretora/atriz/faz um pouco de tudo da série do HBO, Girls. Eu já tinha certeza de que eu ia gostar do livro por ser uma mega fã de Girls e por saber que a Lena despeja muito dela em tudo que faz. E se tem muito dela em Girls e eu amo, eu iria amar seu livro também. Porém, eu fui totalmente surpreendida pelo livro. Não, eu não esperava que o livro fosse ruim e fiquei surpresa quando eu descobri que é bom, nada disso. Bem longe disso, por sinal. O que me deixou estupefata foi a incrível semelhança da Lena Dunham comigo. Tudo bem que ela consegue ser ainda mais singular (o que não significa “especial”, vejam bem, não achem que estou sendo pedante e dizendo que sou melhor que os outros) e diferente que eu, leva a sua personalidade única a níveis muito mais altos que os meus. Mas, na essência, somos muito parecidas. E senti que, finalmente, havia encontrado alguém que entendia minhas peculiaridades.

11021048_10205061383667847_1149057404529874142_n

Dito isso, preciso dizer que não é qualquer um que vai gostar do livro. Alguns – muitos, eu diria -, ficarão negativamente surpresos com ele. Chocados seria a palavra mais certa. Pessoas que acham que qualquer coisa diferente é uma anormalidade ficarão chocadas. Talvez, até algumas pessoas que estão acostumadas com o que não segue um padrão podem ficar chocados. Confesso que até eu me choquei com uma coisa ou duas, mas depois vi que estava sendo ridícula e parei. Isso porque Lena é única, original e faz coisas bem distintas do que são chamadas “normais”. É possível que achem que ela tem problemas psicológicos e emocionais e que precisa se tratar. Não que ela não precise, porque a medida que lemos o livro vemos que ela desenvolveu algumas síndromes durante a vida que precisam sim ser tratadas. Mas esse motivo é bem díspare do motivo que alguns darão para seu tratamento.

Explicamentos mais extensos sobre o livro: Lena é subversiva. Não para chocar, mas naturalmente. É sua essência. Ela é diferente e não se culpa ou nega sua diferença. Nisso diferimos porque, infelizmente, muitas vezes eu gostaria de ser como os demais pra ser um pouco melhor aceita. É verdade que ela já foi assim como eu, mas hoje em dia… Se aceita totalmente. E isso é inspirador.

Lena segurando seu livro.

Lena segurando seu livro.

O livro é despretensioso. É uma narrativa de acontecimentos de sua vida, de todos os aspectos: profissional, amoroso, pessoal, etc. Ela fala sobre o que aprendeu com cada situação que viveu, sem querer impôr seus pensamentos sobre ninguém. Apenas expõe os fatos e seus aprendizados e quem quiser tirar alguma lição de suas palavras, que tire. Mas não parece ser seu objetivo. O livro parece um diário onde expurga os acontecimentos negativos para poder esquecer deles ao mesmo tempo em que percebe que eles foram necessários para ela estar onde está hoje. E também um lugar para ela deixar registrado o que de bom aconteceu para não esquecer de nada. Claro que são suposições minhas, posso estar totalmente errada – como vários professores de literatura ao interpretar poemas e trechos de livros clássicos. Mas é um livro leve, de escrita fluida e informal (do jeitinho que eu gosto), cheio de referências culturais que faz a gente perceber que não estamos sozinhos nesse mundo – com “a gente” quero dizer “excluídos e fora dos padrões”. E que, um dia, chegará a nossa vez, assim como chegou a dela.

Marquei várias passagens com as quais me identifiquei no livro (nunca tinha feito isso antes), e vou colocar as 10 de que gostei mais.

1. Fico pensando em quantas pessoas queridas assistem à televisão procurando sinais da própria destruição.

2. A realidade cruel da ansiedade é que você nunca acha que é boa o bastante.

3. A questão subtendida, nesses casos, é definitivamente como tenho coragem suficiente para expor meu corpo imperfeito, pois duvido que a mesma pergunta fosse feita a Blake Lively.

4. Não sou inveja da maneira tradicional – de namorados, bebês ou contas bancárias -, mas cobiço o jeito de ser de outras mulheres.

5. Sinto inveja das características masculinas, embora nem tanto dos homens. (…) O fato de serem tão livres do instinto de agradar às pessoas, algo que considero uma maldição da minha condição feminina.

6. E, no nosso trabalho, criamos um universo melhor ou mais claro. Ou, pelo menos, que faz mais sentido. Um lugar onde desejaríamos viver ou que poderíamos ao menos entender.

7. Ele me disse que as crianças populares nunca se tornam adultos interessantes e que as crianças interessantes nunca eram populares.

8. Era ansiosa e faminta: por arte nova, amigos novos, por sexo.

9. Penso bastante sobre o fato de que todos nós vamos morrer. Penso nisso nos momentos mais inoportunos.

10. (…) existe algo dentro de você – grande, explosivo, pronto para surpreender o mundo de maneira ruim se as pessoas não souberem lidar com você, mas preparado para se tornar uma coisa linda se alguém simplesmente prestar atenção. 

10999615_10205040741631809_6009071227309535941_nAh! Preciso fazer um aparte para as ilustrações que são super simples e bem propícias ao texto e a livro. A ilustradora é uma amiga de Lena que, inclusive, é citada em um dos capítulos. Aliás, muitos amigos, familiares e pessoas conhecidas são citadas em Não sou uma dessas. Queria muito saber o que elas acham de terem suas vidas contadas ao público desse jeito, mas elas já devem estar acostumadas, já que Lena parece não conter sua vida à, bem, sua vida. Ela parece precisar jogar tudo em seus produtos culturais. Talvez uma maneira de expurgar demônios, como eu tinha falado antes. Eu sei que adoraria fazer o mesmo, seria mais fácil me entender vendo minha vida em telas de TV e páginas de livro. E, preciso dizer, virei fã incondicional de Lena depois desse livro, mais ainda do que era quando só assistir a Girls!

Não sou uma dessas

Lena Dunham

Editora Intrínseca

Livros do momento

Olá leitores! Como vão?

Eu vi que dei uma sumida e pensei: assim ninguém vai querer ler meu blog! hahahahaha Mas é que tô em meados de leituras, e como o blog é sobre os livros que li, não tinha muito o que falar. Maaaaaaaaaaas, pensei aqui com a minha cachola e vou fazer alguns outros posts não relacionados aos livros que estou lendo, porém ainda relacionados à leitura pra vocês não encherem o saco do blog e pararem de ler manter o blog mais dinâmico. Porato, aguardem novidades ahead!

Porém, hoje vou falar um pouquinho de DOIS livros que estou lendo. Isso mesmo, dois! Sou dessas pessoas malucas multitarefas que leem mais de um livro ao mesmo tempo. Há um tempo atrás, se alguém me falasse que lê mais de um livro de uma vez eu diria que a pessoa faz mágica! Mas agora eu sou uma dessas pessoas! Mas confesso que só faço isso quando o livro que comecei a ler primeiro não me empolga muito. E foi esse o caso.

Comecei a ler o livro Fim, da Fernanda Torres, super empolgada porque, bem, é da Fernanda Torres (sim, eu pago pau pra ela). Tava na Saraiva um dia, sem nada pra fazer, peguei o livro dela, sentei no café que tem lá e li o primeiro capítulo. Qual não foi a minha surpresa quando terminei o capítulo e percebi que não tinha gostado. Surpresa e tristeza. Mas não desisti. Comprei o livro (num sebo lindo de Botafogo) e tô lendo ele. Aos poucos. Bem aos poucos. Mas um dia chego ao final!

DSC_0235

Nesse meio tempo, estava inocentemente passando pela Travessa, esperando minha cunhada, quando, de repente, dei de cara com o livro Se só me restasse uma hora de vida, do filósofo Roger-Pol Droit. O nome já me chamou a atenção, assim como a capa, e peguei pra dar uma folheada. Li a orelha, li algumas frases e pronto!, já estava apaixonada. Tive que comprar! Tudo culpa da minha cunhada, que se atrasou! hahahahaa (Brincadeira, Paulinha, se você estiver lendo, foi ótimo porque amei ter comprado o livro) E agora estou lendo os dois ao mesmo tempo. Como esse livro não é um livro de ficção, que conta uma história, são vários textos que te fazem pensar, e o Fim é uma narrativa, conta uma história, então se complementam direitinho e não dão nó na minha cabeça. Agora é só ver qual vou terminar primeiro pra escrever aqui!

Ah! Pra quem não sabe, eu tenho um canal no YouTube onde falo um pouquinho sobre tudo, mas, aos domingos, sempre tem um vídeo relacionado ao mundo literário. Hoje tem vídeo novo lá, em que eu falo sobre preconceito literário – e o quanto isso é uma baboseira! Se gostarem, sigam o canal e curtam o vídeo! E claro, sigam esse blog aqui também!

Beijocas!

Livro 2: O lado bom da vida

Bom dia, senhoras e senhores! Ou boa tarde, se vocês estiverem lendo isso à tarde. Ou boa noite para os da noite! A senhora que vos fala aqui já leu mais um livro, completando a incrível façanha de dois livros em menos de 1 mês, o que, pasmem, é muito para mim, já que ano passado devo ter lido essa quantidade no ano inteiro! Então, palminhas para mim!

*darei um tempo para vocês poderem bater palmas do lado daí da tela*

Ok, palmas terminadas, venho aqui falar do livro O lado bom da vida, ou Silver Linings Playbook, seu título original em inglês.

Matthew Quick, o autor do livro.

Matthew Quick, o autor do livro.

Esse livro de 2008 (mas que só foi lido por mim 2 anos depois de seu lançamento) que teve um filme baseado em sua história (só baseado mesmo, porque o filme é todo diferente e, desculpe a expressão, cagado) em 2013, é um dos filmes mais identificáveis por mim da face da Terra (adicione a ele Carta para alguém bem perto, da Fernanda Young, O apanhador no campo de centeio que, aliás, é citado no livro, de J.D. Salinger, e Eu sou o mensageiro, de *suspiro* Markus Zusak) . “Isso quer dizer que você é maluca, Livia?” (já que o personagem principal do livro tem probleminhas mentais) Sim, isso quer dizer, sim. O QUE VOCÊ TEM COM ISSO? TEM CERTEZA QUE QUER IR CONTRA ALGUÉM LEVEMENTE (BASTANTE) DESPIROCADO? Mentira, gente, nem tô gritando…

Enfim, voltando ao livro. O livro é realmente muito bom. E eu sei que falo muito isso das coisas, mas eu só falo muito isso das coisas que eu gosto de verdade, porque o que não gosto, eu não tenho vergonha de deixar claro que não gosto (como o livro que tô lendo agora, o terceiro do projeto, que até agora tô achando bem chato, mas isso é assunto para outro post). Mas ele é bom. Muito. Por que?, vocês me perguntam. Porque sim! Mentira, vou explicar.

Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.

Algumas capas do livro Silver Linings Playbook.

Bem, só pra fazer um resumo do livro para quem não leu (e nem adianta falar que viu o filme, porque a história é BEM diferente), O lado bom da vida conta a história de Pat Peoples (adorei o nome, by the way), um homem de 30 e meios anos, meio que recém separado (na cabeça dele) de sua mulher, e que acaba de sair de uma instituição mental (apelidado “carinhosamente” por ele de Lugar Ruim). O sentido da vida dele pós-Lugar Ruim é reconquistar sua esposa, que ele não vê desde que entrou na instituição e, para isso, faz tudo que ele considera que ela gostaria que ele fizesse: perde peso, lê livros clássicos da literatura (sendo Nikki, sua esposa, professora de inglês) e, o mais importante de tudo, decide ver o lado bom da vida (daí o nome do livro) sendo positivo e agradável (e não tendo que ter sempre a razão, como fazia antes. Aiai, tão eu esse Pat Peoples). Porém, como não vive sozinho no mundo (apesar de mundo ideal de Pat só existir ele e Nikki), Pat precisa lidar com seus pais, seu irmão, seu terapeuta e também com Tiffany, irmã recém-viúva da esposa de um de seus melhores amigos, que decide começar a seguir Pat e não largar mais dele. Obviamente, Tiffany é vista por todos como mulher-problema, visto que diz o que quer, faz o quer e estar claramente passando por um difícil momento depois da morte de seu marido, Tommy.

Como dá para perceber, tanto Pat quanto Tifffany não estão em seu melhor momento mental. Ambos estão deprimidos e mentalmente não saudáveis. Acho incrível como o autor, Matthew Quick, consegue mostrar facilmente que Pat criou um mundo próprio na cabeça dele. E não importa o que as outras pessoas a seu redor falem, ele não acredita porque o mundo que criou é muito real. Apesar de totalmente desconexo. Ele não lembra de várias partes da sua vida pré-Lugar Ruim, e não consegue nem lembrar quantos anos ficou na instituição. Achei, inclusive, essa uma das partes mais sensacionais do livro e da criação dos personagens. Imagina você ter que conversar com uma pessoa sem mencionar tempo! É muito difícil! E é isso que a mãe de Pat, sempre tão protetora, sempre tão linda, sempre tão carinhosa e verdadeira (e tão mal explorada no filme) obriga todos a seu redor a fazer. Às vezes, isso acaba sendo prejudicial para o próprio Pat, mas conseguimos entender de onde está vindo esse desejo totalmente protetor da mãe: ela não quer que o filho sofra e ponto final. Ela trata Pat como uma criança porque, no momento, ele é uma criança. E isso fica bem claro no jeito de Pat se expressar, algo que me incomodou muito no começo do livro e que até achei que fosse um erro de tradução, uma tradução mal feita. Mas depois percebi que era intencional, pois era assim que Pat estava naquele momento: sendo uma criança, frágil como uma. Talvez por isso a pessoa com quem ele se sinta melhor (além de Tiffany) seja a filha bebê de seu amigo Ronnie, porque ele se identifica com ela e consegue entendê-la. E talvez ele sinta que ela também consegue entendê-lo porque, naquele momento, mais ninguém consegue.

A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos ensina a suporta isso com nobreza. - trecho do livro O lado bom da vida.

“A vida não é um filme água com açúcar. A vida real, com frequência, acaba mal. A literatura tenta documentar essa realidade, enquanto nos mostra que é possível suportar isso com nobreza.” Trecho do livro O lado bom da vida.

Achei muito bonita e delicada como toda essa questão da doença mental é tratada por todos os personagens que permeiam o livro: dos que entendem e tentam ajudar aos que fingem que não existe e não conseguem lidar, como o pai de Pat, um sujeito totalmente fechado e avesso à “emocionalidades”. É incrível ver como uma pessoa é guiada na vida por coisas aparentemente sem valor, como um time (no caso, de futebol americano), e como o amor por um time pode modificar relações. Gostei muito dese aspecto do livro e me fez enxergar os fanáticos por futebol de uma maneira completamente diferente (mas continuo achando os que batem – e às vezes até matam! – nos outros por causa de um time totalmente babacas e idiotas).

Ver Pat enxergar essa realidade real, e não a realidade da cabeça dele, aos poucos e ver como ele lida com tudo é muito interessante. Nos faz perceber como lidamos com a nossa vida também. E, claro, a compreender um pouco mais aqueles que tem um pouco mais de dificuldade em viver a vida, que são mais sensíveis, que tem problemas, e a perceber que coisas como depressão, bipolaridade, anorexia, ansiedade exacerbada, e toda essas doenças da mente não são brincadeira. Até mesmo pra mim, que já enfrentei algumas dessas doenças (depressão e anorexia), foi importante, porque você acaba achando que esses problemas são só seus e os outros não sofrem tanto quanto você, e acaba desvalorizando os sentimentos de algumas pessoas, quando elas podem estar sofrendo tanto ou até mais que você. E desvalorizá-las com certeza não as ajuda. Talvez esse livro tenha me tocado tanto exatamente por isso, porque eu sei o que Pat sente. E a relação que se forma entre Pat e Tiffany também tem a ver com isso, porque um sabe o que o outro está sentindo – apesar de Tiffany entender Pat muito mais do que ele a entende, já que ele está naquele mundo obcecado do Pat onde só enxerga uma coisa: Nikki.

Fico com medo de dizer mais coisa e acabar dando spoiler dimais. Sei que é um livro antigo, que até já saiu filme (que, repito, não tem nada a ver com o livro!), mas sei que muitas pessoas podem ainda não ter lido, como eu, e não quero estragar mais nada para essas pessoas. Acabo, então, dizendo que é um puta livro, delicado e sincero, muito bem escrito e com personagens muito bem delineados, com função exata para cada um. E nenhum fio fica solto no final, o que também é um grande ponto. Só não espere um final cliché porque, afinal, não é um filme água com açúcar. 😉

A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme...

A capa do livro aqui. Acho tão chato quando mudam a capa por causa do filme, fica tão sem graça.

O lado bom da vida (Silver Linings Playbook)

Matthew Quick

Editora Intrínseca

Livro 1: 12 Doutores, 12 Histórias (vários autores)

Amorecos! Acabei, faz uns poucos dias, o primeiro livro do meu projeto! Yay! Foi algo meio agridoce porque, ao mesmo tempo que que fiquei feliz de acabar 1 livro e poder, então, passar para o segundo (que já comecei, é O Lado Bom da Vida, do Matthew Quick), fiquei triste porque o livro era muito bom. E era sobre Doctor Who, e é sempre difícil se despedir de um Doctor – que dirá de doze!

O livro foi lançado primeiramente em 2013 para comemorar os 50 anos da série Doctor Who, e todo dia 23 de cada mês, uma história era lançada. Porém, eles só existiam no mundo digital. Depois disso, fizeram uma versão física (muuuuuuuuito mais legal, sejamos sinceros). E esse ano, com a troca do Doctor (sai Matt Smith, entra Peter Capaldi), publicaram uma nova edição, dessa vez com um conto a mais, estrelado pelo 12o Doctor. Lá fora, teve até edição especial, com cada conto sendo publicado separadamente e com capas lindas com as roupas que cada Doctor usava. Por favor, me diz quem aí vai na Inglaterra pra eu encomendar essa edição!!!!!!!!

Bowties are cool.

Bowties are cool.

Mas enfim, deixe-me parar de falar sobre os livros de lá e falar desse livro aqui que eu li! 12 Doutores, 12 Histórias (acho estranho demais chamar o Doctor de “Doutor”. É Doctor!) é composto, como já disse e como diz o título, de 12 histórias: uma para cada “encarnação” do Doctor. Explico esse lance de “encarnação” para os que não assistem Doctor Who. Pra começo de conversa, vocês precisam saber que Doctor Who é uma série que foi exibida pela primeira vez em 1963, e essa primeira fase da série foi até 1989. Porém, não era o mesmo ator que fazia o personagem principal, o Doctor, durante todos esses anos, os atores foram mudando. E isso era possível devido a um conceito chamado “regenaration”, ou seja, toda vez que o Doctor morre, ele não morre de verdade, ele se regenera. E nessa regeneração, ele muda de aparência. Isso foi criado por causa do primeiro ator a interpretar o Doctor, que tinha uma saúde ruim, e a produção do seriado percebeu que precisavam fazer alguma coisa caso algo acontecesse com ele. Como o Doctor é um alienígena, podiam inventar qualquer coisa, e aí, pronto, “regeneration” it is! Isso é legal também porque permite que a série dure pra sempre, e por isso foi possível a volta de Doctor Who em 2005, com outro ator, logicamente. E desde esse “revival”, já se foram 4 atores (que passaram pela série, e não que morreram, pelo amor de Deus!). Mas antes dos 4 novos, na primeira era (1963-1989) foram 8 atores que interpretaram o Doctor. E como 4 + 8 = 12, 12 Doutores, 12 Histórias! Ok, histórico finalizado, posso falar sobre o livro.

DSC_0130

Como eu já disse, eu gostei muito. Muito, muito, muito! Achei fantástica a ideia de colocar a história do Doctor nas mãos de autores “comuns”, e veja bem, usei comuns entre aspas porque quero dizer que não são roteiristas, e sim autores de livros, quadrinhos e etc. É muito legal saber, também, que são fãs de Doctor Who, e fico imaginando o quanto não foi emocionante pra eles escrever um conto de um programa que gostam tanto. Eu ia pirar! E piraria tanto que acho que nem conseguiria escrever! hahahahaha Mas essa galera aí conseguiu – e mandaram muito bem!

Não posso, porém, dizer que gostei de todas as histórias. No começo, eu estava gostando só das histórias de número ímpar: gostei da 1, não gostei da 2, gostei da 3… mas aí gostei da 4 e acabou com minha teoria de que só gostaria das ímpares. Obviamente, gostei mais de uns do que outros. São 12 histórias, não dá pra gostar de tudo, até porque o estilo do autor muda, e às vezes você pode não gostar desse determinado estilo. Isso, aliás, é algo muito interessante, você descobrir o estilo de alguns autores e, a partir daí, ter vontade de lê-los. Algumas histórias, como Na Ponta da Língua, de Patrick Ness, ou Luzes Apagadas, de Holly Black, são tão boas que me deu muita vontade de conhecer mais sobre o trabalho dos autores. Já outras achei meio chatinhas e isso me fez não ter vontade de ler mais nada de quem as escreveu, mesmo sabendo que é só uma vertente do trabalho desse escritor. Mas ah, tem tantos outros melhores por aí, por que ler algo de alguém que não gostei muito, certo?

Patrick Ness e Holly Black.

Patrick Ness, que também é autor do livro Chaos Walking, que está sendo adaptado para o cinema, e Holly Black, co-autora do livro As Crônicas de Spiderwick.

Outra coisa legal, principalmente para os “novos” fãs de Doctor Who (que não viram a série clássica), como eu, é conhecer um pouco dos Doctors antigos, que estão ali, “vivos”, nas páginas do livro. Se você for que nem eu, vai fazer uma breve pesquisa a cada começo de conto e descobrir quem eram os companions do Doctor que você está prestes a ler, qual é aquele que está na história que você tá lendo (porque, às vezes, mesmo um Doctor tendo vários companions ao mesmo tempo, o autor só escolhe um para colocar na história), e a aparência de todo mundo (santo Google!). E claro, você descobre como era o humor, as frases utilizadas, o jeito e o estilo de cada Doctor que você não viu na televisão. E isso é muito legal! Me senti conhecendo de verdade os 8 Doctors que vieram antes do Christopher Eccleston e foi muito emocionante. Porque os autores desse livro podem não ter sido os verdadeiros roteiristas da série, mas eles pegaram a essência de cada um para escrever, portanto é como se você estivesse lendo um episódio de Doctor Who. E, a partir de agora, pra mim, todas essas histórias que li aconteceram de verdade!

Leela e o 4o Doctor, ambos presentes no conto As Raízes do Mal, escrito por Philip Reeve, onde descobri que o Doctor já teve uma companion não-humana.

Leela e o 4o Doctor, ambos presentes no conto As Raízes do Mal, escrito por Philip Reeve, onde descobri que o Doctor já teve uma companion não-humana.

E claro que é muito legal também ler as histórias dos Doctors conhecidos, como Christopher Eccleston (presente no conto A Besta da Babilônia, escrito por Charlie Higson), David Tennant (amorzinho, no conto O Mistério da Cabana Assombrada, escrito por Derek Landy)), Matt Smith (em Hora Nenhuma, escrito pelo adorado Neil Gaiman) e Peter Capaldi (em Luzes Apagadas, um dos meus favoritos, como eu já mencionei). É fantástico descobrir em que momento da linha do tempo deles aconteceram as histórias, e pensar que podia totalmente se encaixar na série. Só não gostei tanto assim do conto com David Tennant, exatamente por ser com o David Tennant, ou seja, meu Doctor favorito, e eu estar esperando algo magnífico e extraordinário e o que li não correspondeu minhas expectativas. Mas o que é um desvio no caminho entre tantas histórias deliciosas de se ler?

Eu sabia que ia gostar do livro e, nisso, não tive decepções: o livro é maravilhoso! Recomendo a todos os fãs de Doctor Who, principalmente, mas também aos que não são, porque você não precisa ter visto a série para entender e gostar das histórias. Comecei minha lista de livros muito bem!!!!!!!!!

E para os fãs de Doctor Who, quero dizer que fiz um vídeo no meu canal no You Tube respondendo perguntas sobre Doctor Who, então vai lá e dá uma olhadinha! E não esqueça de seguir o blog e me seguir nas redes sociais!

Beijos!

12 Doutores, 12 Histórias

Vários Autores

Editora Rocco

Minhas Redes Sociais:

Facebook: https://www.facebook.com/livia.g.brazil
Twitter: @LiviaGBrazil
Instagram: @livgbrazil

Meu outro blog: http://www.liviabrazil.wordpress.com

Livros do meu armário – Alguns livros que lerei

Olá pessoas bonitas e leitoras! Como estão todos?

Estou vindo aqui não para falar sobre o primeiro livro da minha lista de 30 livros, Doctor Who: 12 Doutores, 12 Histórias, porque ainda não acabei de lê-lo, apesar de estar AMANDO o livro! Claro, é um livro contando aventuras de Doctors, como não amar, sendo uma hiper mega fã de Doctor Who? Acabei hoje de manhã a história do sexto Doctor, o que significa que faltam seis Doctors ainda (por que 12 – 6 …). Por enquanto, só não gostei de duas histórias. Mas não quero falar muito antes do tempo. Quando eu acabar de ler o livro, farei uma resenha – provavelmente imensa – aqui.

Maaaaaaaaaaaaaaaas, enquanto não acabo de ler esse livro fantástico, fiz um vídeo mostrando alguns dos livros que devo ler esse ano. Eles estavam no meu armário e ainda não tinham sido lidos, portanto não há hora melhor para tal do que nesse meu projeto. Certo? Segue o vídeo abaixo pra vocês saberem quais são. E, se já tiverem lido alguns deles, me digam o que acharam!

Beijocas!

Me sigam nas redes sociais também, galerinha!

Facebook: https://www.facebook.com/livia.g.brazil
Twitter: @LiviaGBrazil
Instagram: @livgbrazil

Apresentação

Feliz 2015, pessoas!!!!!!!

Bem, como todas pessoas do mundo, eu fiz uma pequena lista de resoluções para esse novo ano que se inicia e que eu me transformo numa velha de 30 anos ficarei mais bonita e clássica. E uma delas é ler mais! Eu sou uma escritora, eu preciso ler muito! E, por isso, decidi ler exatos 30 livros em 2015. O motivo? Você fica sabendo nesse vídeo:

Espero que gostem do blog e dos livros e, não se esqueçam, me indiquem livros pra ler!

Beijos!